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Terça-Feira, 27 de Abril de 2021, 10h:52 | - A | + A

ESCÂNDALO NA SAÚDE

Secretária fala em racismo, chora mas não explica remédios vencidos em Cuiabá

Vereadores denunciaram "cemitério" de remédios vencidos em Cuiabá. Local é gerido pela Prefeitura de Cuiabá

Ana Adélia Jácomo

Da Redação

ozenira félix

Secretária não apresenta respostas à Câmara sobre medicamentos vencidos

Após seis meses à frente da Secretaria Municipal de Saúde, a titular da pasta Ozenira Félix disse nesta terça-feira (27.04) na Câmara Municipal de Cuiabá que sabia da existência de um galpão de medicamentos vencidos, mas não comunicou o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

 

Afirmando que o processo de apuração é sigiloso e que, por isso, não pode dar mais detalhes sobre o caso, o levantamento, segundo ela, será entregue nos próximos dias à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e à própria Câmara.

 

Entre lágrimas, a secretária disse que sente o racismo, por ser mulher negra. “São anos de trabalho comprometido pela cor da minha pele. A cor da minha pele não define em nada, e também não sou candidata a nada. Somos negras com criação branca de vida”, disse ela.

 

A vereadora por Cuiabá Maysa Leão, e os vereadores Diego Guimarães e Marcos Paccola, todos do Cidadania, divulgaram em suas redes na última sexta-feira (23.04) um vídeo denunciando a existência de uma grande quantidade de medicamentos vencidos. Os fármacos estão armazenados no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (Cdmci), sob responsabilidade da Prefeitura de Cuiabá. 

 

Entre os remédios que estão estocados com data de validade vencida estão: amoxicilina (antibiótico que tem sido usado para enfrentar as infecções por bactéria, em muitos pacientes com covid), Ibuprofeno (medicamento que trata dor, febre e inflamação, muito usado nos pacientes com covid), Ritalina, anestésicos, dipirona, paracetamol, mais uma infinidade e até leite em pó. Entre os remédios vencidos estava o AmBisome, antifúngico que custa mais de R$ 20 mil.

 

“Se chegasse e brigasse com todo mundo, não teria documentos (...) Os relatórios estão sendo produzidos e serão concluídos (...) Não posso dizer que em seis meses que a culpa é de alguém. Não existe culpa de alguém que deixou os remédios venceram, mas existe um processo de funcionamento. Não existe culpado, mas um trabalho com falhas do sistema, que não vamos dizer, assim com houve em outras secretarias, nada justifica essas falhas, o recurso é da população”, disse a secretária.

 

Ozenira afirmou ainda está conhecendo o setor em Cuiabá, mas que já havia sido comunicada sobre o fato e estaria estudando uma forma legal de fazer o descarte e as devidas responsabilizações. Segundo ela, seria mais fácil “jogar os remédios em uma vala comum”, mas que decidiu não dar sumiço aos medicamentos por ser uma pessoa comprometida com o trabalho.

 

“Poderíamos ter feito a filmagem com o farmacêutico contando os problemas (...) Entraram em uma área restrita. Seu quisesse esconder, a gente poderia ter catado aqueles medicamentos e jogado numa vala comum e pronto. Mas ele está na prateleira, e não mexemos nele”.

 

“Buscamos a solução e apresentamos o problema com a solução. Já vi acontecer isso [jogar produtos vencidos no lixo], com documentos, processos, remédios, livros didáticos... Já temos um prejuízo nesse caso, estamos recompondo, e esse trabalho vai ser entregue na Decor, TCE, e Câmara de Cuiabá, com os resultados do que fizemos. Eu não tenho as respostas agora”.

 

“Iniciamos um trabalho de monitoramento, de quanto se gasta mensalmente, verificação a criação de relatório, porque estamos em uma pandemia, que alterou o funcionamento da secretaria. Usávamos um tipo de medicamento, a partir da covid, deixamos alguns e mudamos os medicamentos, e o foco se voltou para a covid, sendo que temos outras patologias, mas eu entrei nesse momento e tive que aprender”.

 

Ataque a vereadores

 

“Fiquei extremamente triste pelo Diego, dizendo que foi autorizado a entrar. Eu fiquei triste porque nunca neguei a entrada de ninguém em nenhuma unidade, peço apenas respeito pra designar uma pessoa para ir esclarecendo. Estou profundamente triste porque não havia necessidade daquela entrada. Vocês ainda são jovens. Como representante da população, eu poderia chegar na Câmara hoje, pegar um gabinete e mexer em todas as gavetas, da mesma forma que foi feita. Só que isso não é democrático, não é um comportamento que contribui para a população”.

 

CPI

 

O vereador Lilo Pinheiro (PDT) propôs nesta manhã o pedido para criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o fato. Até o momento, 13 assinaturas foram colhidas. A investigação tem prazo de 120 dias para apresentar resultados.

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