Política Segunda-Feira, 18 de Novembro de 2019, 08h:00 | - A | + A

ENTREVISTA DA SEMANA

"Sou o verdadeiro pai do Hospital Municipal de Cuiabá", afirma Pinheiro

O prefeito de Cuiabá, inaugura nesta segunda-feira (18), o maior hospital de Mato Grosso

Suzi Bonfim

Prefeitura de Cuiabá

Emanuel Pinheiro

 

Nesta segunda-feira (18), a Prefeitura inaugura a última etapa do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Um ano e um mês antes de terminar o mandato, Emanuel Pinheiro cumpre um dos seus principais compromissos de campanha. O novo hospital tem 315 leitos para atender 100% dos pacientes do SUS, com equipamentos de última geração e até heliporto. No hospital também vai funcionar o novo Pronto Socorro para atendimento de urgência e emergência. 

 

O prefeito não poupa superlativos em relação à obra. Se define com “verdadeiro pai do sonho cuiabano” e faz um relato do que foi feito para conseguir viabilizar a execução do projeto. “Tive que pegar o boi pelo chifre”, garantiu Pinheiro.

 

Emanuel Pinheiro fala ainda sobre a relação conflituosa com a oposição na Câmara de Vereadores, com o governador Mauro Mendes, de quem foi coordenador da campanha a prefeito, em 2012.  E, por fim, cobra de Mendes o pagamento de uma dívida que o prefeito acredita ser de R$ 45 milhões.

 

O PNBONLINE acompanhou a entrevista concedida pelo prefeito Emanuel Pinheiro, nesta segunda-feira, ao programa A Notícia de Frente, da TV Vila Real, em Cuiabá. Confira os trechos mais importantes.

 

PNBONLINE -  Como vai ser realizada a transferência do atendimento de urgência e emergência do antigo Pronto Socorro, na rua General Vale, para o novo, no bairro Ribeirão do Lipa?

 

Emanuel Pinheiro - O Samu e as ambulâncias vão direto, a partir das 7 da manhã, desta terça-feira (19), para o novo pronto socorro, no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Mas, considerando o espírito humanizado da minha gestão e o parecer técnico, vou manter uma estrutura mínima e enxuta na urgência e emergência do velho Pronto Socorro, em respeito à população, àqueles, entre aspas, desavisados. Muita gente não sabe do novo Pronto Socorro, então, a minha preocupação é que são 40 anos de vida condicionada: tem uma briga no bairro, um corte profundo, leva para o Pronto Socorro. Leva um tiro ou alguma coisa assim, pega a família desesperada, leva para o Pronto Socorro; é um acidente de carro, um atropelamento, leva para o Pronto Socorro. Então, em respeito a esse condicionamento que há 40 anos a população cuiabana está acostumada que o Pronto Socorro fica alí na General Vale, vou manter uma estrutura mínima, enxuta, na urgência e emergência, por 90 dias para atender estes casos, que não sejam via Samu, nem via ambulância, que seja de casa, parentes e amigos que chegam desesperados com paciente.

 

Você tem que atender, tem obrigação até humanitária de atender, estabilizar o quadro e, aí, encaminha para o HMC. Isso vai ser por 90 dias até que a própria mídia espontânea, o boca a boca e a grande mídia que vamos fazer, direcionará, naturalmente, a população quando necessitar ao HMC. Estamos fazendo toda esta transmissão além também dos pacientes que estão na UTI em caso grave. Esses não podem ser transferidos, então está sendo feito todo um levantamento médico clínico, neste período que antecede a inauguração, seja um dois, 10, 15 pacientes, o tempo que for necessário, para cuidar da vida humana. Se não puder ser transferido do velho para o novo, vai ficar no velho Pronto Socorro até que ele, com a graça de Deus, posso se recuperar.  

 

PNBONLINE - O HMC, sem dúvida, é uma obra histórica em Mato Grosso, até porque nunca se viu uma obra tão grande e com esta complexidade de engenharia. De certa forma, muitos criticaram pelas fases que foram colocadas, mas não corremos o risco de termos uma demanda maior neste Hospital Municipal de Cuiabá, por conta de sua grandiosidade e publicidade dada a ela?

   

Emanuel Pinheiro - Existe uma perspectiva certeira. Para vocês terem uma ideia, eu entreguei em etapas e foi até elogiado pelo Ministério da Saúde - case de sucesso. Outros municípios que estão fazendo hospitais muito menores estão copiando Cuiabá. Então, o que importa é que estou entregando, não é uma quadra de futebol, é o maior hospital de Mato Grosso, uma obra de alta complexidade. O Pronto Socorro está lá dentro, a urgência e emergência. Tive todo o cuidado com vida das pessoas. Uma obra dessas você tem que acompanhar, monitorar, fazer ajustes porque está mexendo com a vida das pessoas. A primeira etapa, que foi dia 22 de fevereiro, o ambulatório, e a quinta etapa que foi 30 de agosto, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), e nós já chegamos em 30 de outubro deste ano, chegamos a 32 mil procedimentos no HMC. Você imagina a projeção disso para os próximos anos. A hora que vier a urgência e emergência, a partir de amanhã (terça-feira, 19.11), o Pronto Socorro, estima-se três a quatro mil pessoas, por mês, neste primeiro momento. Estou prevendo, sem medo de errar, já em 2020, de 500 a 600 mil procedimentos por ano. É uma Cuiabá (a população), em todo o hospital.

 

PNBONLINE - Como as pessoas vão se dirigir ao novo Hospital Municipal? Foram feitos poucos anúncios. A prefeitura teve o cuidado de colocar uma placa na avenida Miguel Sutil para quem vem da cidade vizinha e para quem vai para Várzea Grande; mas, não há uma publicidade exaustiva para ensinar o caminho para o Pronto Socorro. Já foi resolvido quais as linhas de ônibus para o hospital para facilitar a vida da população?

 

Emanuel Pinheiro -  Foi criada uma comissão pró-implantação HMC, com 25 a 30 pessoas que são meu auxiliares do Conselho e da Secretária de Saúde e, na última quinta-feira (14), que antecedeu o feriado, nos reunimos para fazer um check list de tudo e isso foi visto. O movimento, hoje, no HMC é absurdo. É clima de hospital. O pátio para mais de 750 veículos está lotado, sem contar os pacientes que chegam ou com consultas para o ambulatório ou para o parque de imagens ou enfermaria. Muita gente do interior, a maioria de Cuiabá, mas acho que tá meio a meio, então a população já sabe. Mas nós vamos investir em uma mídia maciça para que a população, com o tempo, possa se acostumar com o novo endereço. Com relação à linha de ônibus, já vimos que a linha Praça Alencastro - Ribeirão do Lipa, por si só, não está atendendo a população porque tem que passar por todo o bairro para voltar para o centro. Então, vamos manter esta linha e vamos criar outras linhas do Centro direto para o HMC e vice-versa. Com esta movimentação de hoje é razoável criar linhas específicas de alguns pontos de Cuiabá, especialmente, da Praça Alencastro.

 

PNBONLINE - O jornal A Gazeta divulgou denúncias de falta de medicamento e problemas pontuais no antigo Pronto Socorro. Como vai ser a administração no novo hospital para que isso não aconteça? Já houve uma matéria dizendo que no novo Pronto Socorro não tinha medicamento e a explicação foi de que havia, mas, não foi distribuído.

 

Emanuel Pinheiro - Existe na rede a falta de medicamentos e insumos, existe a falta fake (diz que não tem o medicamento e chega lá, tem), existe o desvio, a mentira deslavada. A última denúncia do Sindicato do Médicos é infundada. Há muito tempo que a falta de medicamento não está nas páginas dos jornais porque nós colocamos o dedo na ferida. Existiam problemas e eu não vou tapar o sol com a peneira, mas não era nem de longe o que vendia. Pode ter sido uma falta de gestão. No caso de UTI, a farmácia fica lá dentro, então, se precisa de um medicamento de um insumo, não vai mais no depósito. Está tudo ali dentro, até porque quem está na UTI inspira um cuidado maior. Isso tudo está sendo feito como projeto piloto, como farmácia satélite. Medidas para aperfeiçoar. O HMC, em si, tem estoque de quatro em quatro meses, três vezes ao ano, fora isso, só se houver necessidades extraordinárias e com isso vamos ter estabilidade. Sei que não está resolvido, mas, avançou e há muito tempo vocês não têm uma denúncia contumaz de que está faltando medicamentos e insumos na rede.  

 

PNBONLINE - O senhor disse que praticamente metade do atendimento no HMC já é do interior. Qual a responsabilidade do governo do Estado neste volume de atendimentos?

 

Emanuel Pinheiro - O Estado até agora não entrou com nada, mas vai ter que entrar. Tem alguns leitos de UTI que são obrigatório e ele (governo) não tem como fugir. O que tem sustentado o HMC é a Prefeitura de Cuiabá e os R$ 49 milhões que, no dia 22 de abril, quando entreguei a segunda etapa, o ministro Luiz Henrique Mandetta esteve aqui e assinou a portaria. Mas tem que ser com os serviços sendo habilitados, a liberação é gradativa. Até o mês passado, o HMC sobrevivia com R$ 1, 250 milhão de repasse do Ministério da Saúde. Aí, fui lá várias vezes com Emanuelzinho (deputado federal PTB), senador Jayme Campos (DEM), deputado federal Carlos Bezerra (MDB) e Wellington Fagundes, comigo, apressamos as habilitações e, a partir deste mês, já veio R$ 4,1 milhões. E com a entrega hoje da última etapa, em dezembro e janeiro, vai para R$ 7,2 milhões o repasse do governo federal. 

 

PNBONLINE - Quanto a prefeitura gasta com o HMC mensalmente?

 

Emanuel Pinheiro -   A prefeitura de Cuiabá gasta em torno de R$ 5 milhões por mês. Com a estrutura dá R$ 5,6 milhões, para ser mais preciso. Com a Empresa Cuiabana de Saúde, mais da metade é para o HMC. O custo final do hospital vai ser de R$ 12 milhões por mês porque vamos implantar todos os serviço, como a cardiologia. Vamos buscar o credenciamento no Ministério da Saúde.  

 

PNBONLINE - Com quanto o governo do Estado participa?

 

Emanuel Pinheiro -  Com leitos de UTI, R$ 2,5 milhões, e vai ser assim no novo HMC. E espero avançar isso, já que o governo pode participar com oferta de mais serviços com a prefeitura de Cuiabá. 

 

PNBONLINE - Como foi a transferência do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), que é referência na área no país?

 

Emanuel Pinheiro - O CTQ funcionava em uma estrutura precaríssima com oito leitos e foi transferido para uma estrutura com 20 leitos, dois deles de isolamento. A estrutura foi tão aperfeiçoada que quando foi inaugurada, em 30 de agosto, o presidente da Associação Brasileira de Queimados fez questão de vir para conhecer e se solidarizar com a equipe que é de credibilidade nacional.

 

Isso foi prometido em 2012, eu tinha um constrangimento interno. Em 2012, eu era o coordenador de campanha do Mauro (Mendes, a prefeito), nós prometemos entregar na gestão dele, em dois anos, não dava, mas, não entregamos nem em quatro. Então, havia este meu constrangimento. Eu fui pra rua com ele, fui pra praça, prometemos para o povo entregar. Eu era o coordenador geral de campanha dele, eu tinha isso dentro de mim, também

 

PNBONLINE - O senhor se considera o pai do Pronto Socorro?

 

Emanuel Pinheiro - O pai de todo este processo é o povo cuiabano que paga os seus impostos e cobra há décadas por esta obra, por este sonho. E nós prometemos entregar o novo Pronto Socorro de Cuiabá e entregamos muito mais. Estou entregando o maior hospital do estado de Mato Grosso, referência nacional. Sendo elogiado, Campo Grande vem para cá, prefeitos, autoridades, o Brasil inteiro está vindo para cá. O Ministério da Saúde não cansa de elogiar. Tudo feito com muita determinação, muito amor e muito carinho para atender a expectativa da população. Não é fácil. Se fosse, outros já teriam feito. Não estou querendo brigar pela paternidade, mas estou mostrando o que passei. Se fosse fácil, Mauro tinha entregue, Chico e Wilson tinham entregue e outros governadores tinham entregue.

 

É difícil demais, era mais fácil ajuizar e tocar a vida e entrar na zona de conforto. Um absurdo. Obra estava parada, no meio do mato, esqueleto a céu aberto, planilha que não bate, projeto com problemas técnicos e estruturais. Foram quatro a cinco meses, pergunte para o Jorge Pires e o Lotufo, do consórcio que ganhou as obras. Problema de toda ordem, para todo lado. Se não houvesse a determinação e o foco para agarrar chifre do boi e falar: "a população precisa, a população merece, é hora de dar um basta, de virar a página e iniciar um novo ciclo na saúde pública de Cuiabá, que vai ser referência no estado" - não faz. Vira um VLT (veículo leve sobre trilho) vira um Júlio Müller (hospital universitário), vira um Hospital Central, esqueleto a céu aberto. Olha o Júlio Müller: esqueleto a céu aberto. Olha o VLT: esqueleto a céu aberto. Por isso, até peço desculpas a vocês em falar eu sou o pai, mas a minha alegria é tão grande, a minha emoção é tão grande, como cuiabano, ser o responsável pela conclusão e entrega desta obra tão sonhada pelo povo cuiabano, que eu não consigo esconder a minha realização, minha alegria e minha emoção. É um serviço que será prestado com dignidade, com excelência para a população SUS, para os mais humildes, mais carentes.

 

PNBONLINE - O senhor disse que prometeu um Pronto Socorro e entregou um hospital. O senhor mudou o projeto do Mauro Mendes (então prefeito de Cuiabá), que fez 30% da obra, que entregou o convênio do governador Pedro Taques de R$ 50 milhões que foram repassados e, que você concluiu em torno de 70%. Onde que está o erro?

 

Emanuel Pinheiro -  Não tiro o mérito de ninguém. Como Mauro Mendes não pode tirar o mérito do Pedro Taques da estrada da Guia (rodovia Hélder Cândia), que fez 95%, e Mauro entregou como obra dele, deveria lembrar o nome do Pedro. Indico isso para o Mauro, Emanuel, Lucimar. O que você está falando não cabe pra mim. Em nenhum momento escondi nada de ninguém. Primeiro, projeto era do nordeste que veio para Cuiabá e levamos cinco meses para adequar. Entrei lá (no HMC) no terceiro dia (como prefeito), e foi dia e noite para adequar o projeto. Eram adequações das mais absurdas, eram problemas seríssimos para ser adequado. Por isso, até que eu acho que, na época, o próprio prefeito Mauro Mendes deixou meio que de lado. É complicado, não é fácil e, sem falsa modéstia, não é pra qualquer um. Vários parceiros ajudaram. Se não fosse isso, não estaria pronta. Se somar, como o que o governo deu e ele (Mauro) junto deu 25%, 75% foi a gestão de Emanuel Pinheiro. Agora, vai tirar o mérito que ele licitou e fez o esqueleto, não. Vai tirar o mérito de quem fez, licitou e fez o esqueleto do Júlio Müller, de quem fez o Hospital Central que está há 30 anos, quase 40 anos aí. Licitar e fazer esqueleto, todo mundo faz. O duro é pegar o chifre do boi e fazer acontecer. 

 

Pedro Taques honrou com R$ 50 milhões. Consegui com Blairo Maggi, Wellington Fagundes (senadores), presidente Michel Temer, a cúpula do MDB, mas quem puxou foi Blairo Maggi. Fui até ele com o projeto técnico feito a jato. Tudo o que precisou, Cuiabá teve de pronto: R$ 100 milhões em prazo recorde, a fundo perdido para concluir obra física e equipar tudo. Consegui mas usei as autoridades políticas. Foi nosso compromisso de campanha, um prefeito aliado com a bancada federal porque eu sabia que sem ela não entregava. Principalmente, depois da celeuma da emenda parlamentar de R$ 82 milhões. Não tiro o mérito de que fez e vou citar agora todo o histórico. Querer tirar o mérito de que agarrou no chifre do boi e fez o que tinha que fazer, aí é que não dá pra aceitar.  

 

Isso foi prometido em 2012, eu tinha um constrangimento interno. Em 2012, eu era o coordenador de campanha do Mauro (Mendes, a prefeito). Nós prometemos entregar na gestão dele, em dois anos. Não dava, mas não entregamos nem em quatro. Então, havia este meu constrangimento. Eu fui pra rua com ele, fui pra praça, prometemos para o povo entregar. Eu era o coordenador geral de campanha dele, eu tinha isso dentro de mim também. Além da minha realização como cuiabano, de ser o responsável e mudar a saúde em benefício da população. Mas concordo com Júlio Campos, o pai desta obra é o povo cuiabano. 

 

PNBONLINE - O senhor foi coordenador da campanha de Mauro Mendes. Então o HMC é o grande culpado por esta troca de farpas, esta situação indelicada entre o governador do estado e o prefeito da capital? O secretário chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, disse na quinta-feira (14) que até o último momento do governo Mauro Mendes não tinha nada no bolso para pagar o hospital. 'Eu renuncio à Casa Civil e se ele (Emanuel) não provar, renuncia à prefeitura". Disse também que “nós nunca atacamos, sempre fomos atacados” e não vão (o governo) na inauguração porque o governador já tinha agenda. 'O prefeito não consultou a agenda para marcar. Ele marcou e se o governador quiser, que se adeque à agenda do prefeito". 

 

Emanuel Pinheiro - O secretário interino de governo da prefeitura já respondeu o chefe da Casa Civil. Eu prefiro este Mauro Carvalho que em 1º de junho deu entrevista uma entrevista dizendo que Emanuel está sendo um ótimo prefeito para Cuiabá, no site Mídia News. Assim está o DEM, todo acompanhando a gestão, empolgado com a gestão. Quando um fala, parece que causa um constrangimento. Estou zen, tô flutuando. Passado este sonho da entrega do HMC, tenho por obrigação, vou apresentar uma planilha, medição por medição, desde o primeiro até o último dia. Aí vocês vão ver. 

 

Com relação a quem provoca, eu sempre tive a elegância e o fino trato na política, até de berço, pesquisem. Peguem desde quando o governador assumiu até hoje, quem provoca quem. Aí, vocês vão ver se algum dia eu provoquei, se algum dia eu fui indelicado. Não precisa ser amigo, tomar cerveja junto. Cuiabá precisa de uma relação institucional de alto nível, governador e prefeito.

  

PNBONLINE - O que vai acontecer com o antigo Pronto Socorro e com as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Verdão e Jardim Leblon?

 

Emanuel Pinheiro - As duas UPAs, obras que estavam iniciadas e meio paradas quando eu assumi e deu muito trabalho para poder organizar a licitação de uma delas, principalmente da UPA Verdão, que a empresa faliu, outra desistiu. Em 5 de dezembro vou entregar a UPA Verdão. No aniversário de Cuiabá, do ano que vem, entrego a UPA Jardim Leblon. Em cada uma delas vou colocar a ala de ortopedia para desafogar a urgência e emergência do Pronto Socorro, para que lá fique só com alta complexidade, o que é uma novidade, que nenhuma UPA tem .E com isso nós vamos melhorar e poder mergulhar na atenção básica. 

 

PNBONLINE -  Como está a licitação do transporte coletivo em Cuiabá?

 

Emanuel Pinheiro - Um dos pilares da minha campanha, outro ponto que ninguém enfrentava, a licitação do transporte coletivo, era mais fácil prorrogar. Puxei pra mim. Vou honrar o que o Chico (Galindo) assinou e o Mauro cumpriu e, em 2019, eu faço. Não vou prorrogar mais nada. E fiz. Está em fase final, dando tudo certo. Agora em dezembro, último mês dos 300 anos de Cuiabá, eu assino o contrato, dou a ordem de serviço para operação das empresas e quero até julho de 2020, quando termina o prazo de 180 dias para se adequar ao edital, pelo menos 50% da frota com ar condicionado.    

 

PNBONLINE - Agora, vamos falar de eleição 2020. O que é mais fácil, aceitar o conselho da primeira-dama Márcia Pinheiro ou ser candidato em 2020? 

 

Emanuel Pinheiro - Ela não quer que eu saia e é forte esta tese de eu não sair. Hoje, é muito mais fácil eu não ser do que ser candidato. 

 

PNBONLINE - Qual é a lógica política se o senhor não for candidato?

 

Emanuel Pinheiro -  Eu sempre sonhei ser um líder político porque eu sempre fui liderado por Jonas Pinheiro (senador, faleceu em 2008), Júlio Campos (ex-governador, DEM) e Jayme Campos (senador, DEM). Aí tentei um voo solo, perdi algumas eleições, sofri demais. Voltei e, Deus quis o destino, me colocou prefeito da minha cidade nos 300 anos dela. Então, hoje eu lidero um grupo de 13 partidos que querem que eu seja candidato porque estão aprovando a minha gestão. Em todos os partidos tem gente que está vibrando. O DEM está infestado, tem muita gente que está comprometida que tem contato diário comigo. Esta semana, recebi uma ala do PDT empolgada, que quer, disse fala com o Alan (deputado Alan Kardec, presidente do diretório estadual), nós queremos ficar com você, a gestão está bombando, nós queremos ajudar no próximo mandato. Não posso falar quem é senão me exponho, mas são pessoas entusiasmadas. O Solidariedade já está dentro da gestão, o deputado federal Leonardo já quer anunciar como 14º partido, ajudando muito. Isto para mim é uma realização, mostra que estamos no caminho certo.

 

Será possível que em um grupo de 14 partidos, só tem eu? Não tem alguém de peso que, caso eu não saia candidato, possa defender este legado e continuar levando adiante os nossos compromissos e avançar mais ainda. Tem 40 ações de peso para entregar até 23 de dezembro. Quem que não se empolga por uma gestão como esta? Se você perguntar se eu quero ser candidato à reeleição, é a coisa que eu mais quero na vida. Estou louco para continuar trabalhando por Cuiabá, nunca fui tão realizado. Já estabeleci o prazo para o grupo: no aniversário de Cuiabá, em 2020. 

 

PNBONLINE - Por que esta relação de atrito com a oposição na Câmara de  Cuiabá, sendo que o senhor tem todo o cabedal político para contornar esta situação, mas preferiu o enfrentamento?

 

Emanuel Pinheiro - Não me importo com a oposição. Nós estamos com uma renovação muito fraca em Cuiabá. Eu me lembro que quando eu e Wilson Santos (deputado estadual, PSDB) começamos, em 88, eu com 23 anos e ele com 27, como era o nível dos debates daquela geração. Trinta anos se passaram, muitos nomes e lideranças emergiram e submergiram. Neste processo, sobreviveu Wilson Santos. O que é isso? Vocação, talento, trabalho, postura, lealdade, perfil, berço, educação, caráter. Eu vejo nos jovens (vereadores da oposição), a forma como eles agem, é perda de tempo. Nunca me procuraram para discutir Cuiabá. Estou com 18 vereadores que me apoiam e tem sete que não querem? Ah não, nós queremos. Venham, recebo com maior prazer. Um único gesto sensato da oposição, até agora, em quase três anos de mandato  - a denúncia do churrasco em horário de expediente na Central de Distribuição de Alimentos Escolar, da Secretaria Municipal de Educação, nesta sexta-feira (8), feita pelo Diego Guimarães (PP) e Abílio Jr. (PSC) - esta oposição eu quero, que mostra os desvios, que mostra os problemas, que faz críticas construtivas, tanto é que eu não hesitei em exonerar. Esta é a oposição decente. Foi o único gesto de sobriedade da oposição. No mais, a minha opinião, é um grupo que não contribui em nada com Cuiabá. É uma geração de perdidos. 

 

PNBONLINE -  Como está a questão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que tem boa parte sob a responsabilidade do governo do Estado de Mato Grosso? O senhor foi convidado para participar das discussões no grupo de trabalho?

 

Emanuel Pinheiro - Não fui convidado e é lamentável. O VLT está tomando o mesmo rumo da gestão passada. O governador Mauro falou que em seis meses dava uma solução. Passou para novembro e agora jogou para fevereiro. Aí já são um ano e dois meses de governo. Se você não pega o chifre do boi no começo, não faz. Se eu tratasse o HMC como estão tratando o VLT, não saía. A gestão não se resume ao VLT. Não chamou a prefeitura de Cuiabá e de Várzea Grande para discutir. Eu defendo o VLT e fico muito preocupado.

 

PNBONLINE - De acordo com o índice Firjan de Gestão Fiscal, em 2016, Cuiabá era a 11ª entre as 27 capitais brasileiras, agora é a 25ª. Era 101ª entre as cidades do país e pelo mesmo indicador foi para 2.363. Isto é preocupante, o senhor vai contestar?  

 

Emanuel Pinheiro - Este mesmo Firjan diz: Cuiabá é a quarta capital com melhor índice de investimento do Brasil, revela pesquisa, agora de agosto de 2019. São índices que não vou dizer que está errado, mas estou me embasando pelo Tribunal de Contas da União, de Mato Grosso e Secretaria do Tesouro Nacional .Isso é o que o gestor deve fazer.

 

PNBONLINE - Mas, a Secretaria do Tesouro Nacional reduziu a nota de Cuiabá que Mauro Mendes deixou com B, para C.

 

Emanuel Pinheiro - Uma balança pelos investimentos nossos. Na semana passada autorizou R$ 70 milhões de investimento para Cuiabá e vai autorizar mais R$ 50 milhões. A mesma Secretaria do Tesouro Nacional elogiando a gestão fiscal do município. Cuiabá preza pelo equilíbrio fiscal e existe uma sazonalidade em virtude dos investimentos. Governo do Estado, me pague os R$ 28 milhões a 30 milhões que deve para a saúde que eu equilibro mais rápido. Não paga, eu não vou deixar de investir na saúde, deixar de investir nas pessoas. Aí é perfil. Eu não tenho perfil de empresário, eu não quero que a prefeitura poupe dinheiro para lucrar e ter juros. Quem tem que lucrar com a gestão pública é a população, principalmente os mais carentes. No final, daqui um ano e um mês, eu vou fechar equilibrado. O índice de pessoal já caiu para 48.7% quase 49%, saímos do limite prudencial que era 51,3%. Eu acompanho, diuturnamente, no Tribunal de Contas. Estou entre os quatro melhores do país em investimento. Autonomia estamos entre os quatro melhores e a liquidez nossa, porque temos a receber, só a saúde são R$ 30 milhões a receber e se computar os R$ 15 milhões que eles falam que não devem e eu falo que deve, vai para R$ 45 milhões. Se eu tiver certo, vou equilibrar do jeito que o Firjan quer. Se for os R$ 30 milhões, pague que eu deixo de tirar da Fonte 100 para colocar na saúde. Vou entregar uma prefeitura melhor do que aquela que eu recebi em 2017.  

 

* O programa A Notícia de Frente foi conduzido pelos jornalistas Nahyara Moura, Antero Paes de Barros e o professor, Haroldo Arruda Júnior.

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